Assembleia de Freguesia de Molelos

Intervenção na Assembleia de Freguesia de Molelos de 29 de dezembro de 2015 sobre a LOIÇA PRETA DE MOLELOS"


Em primeiro lugar gostaria de felicitar com consideração a pessoa do Dr. Cilio Correia, vereador da Câmara Municipal de Tondela, eleito pelo Partido Socialista pela sua crónica “Molelos, Terra do Barro Preto”.
O vereador Cílio Correia defende, e muito bem, a elevação do Barro Preto a Património Imaterial da Humanidade (UNESCO) e sugere para Molelos a criação de um Museu da Olaria ou Casa do Barro, onde se incluísse um centro interpretativo do ciclo do barro.
Com todo o respeito pela sua opinião e dos que defendem o mesmo, deixem que vos diga, com a maior frontalidade que esta é uma visão muito redutora para valorizar e projectar a Loiça Preta de Molelos.
Tenho visto muita gente a embandeirar a loiça preta de Molelos, tanto a nível local como regional mas até agora, não tenho visto resultados efectivos, excluindo a iniciativa promovida pelo Município de Tondela junto de grandes chefes de cozinha, da qual resultou elevada projecção.
Entendo que a discussão sobre a loiça preta deve ser séria, integradora mas acima de tudo que valorize o território onde é produzida. 
Discutir a Loiça Preta de Molelos a partir de ideias avulso, em função de conveniências diversas é vulgarizar o património e é o primeiro passo para que os decisores políticos se desinteressem pelo assunto.
Nesta assembleia, desde que faço dela sempre defendi a Loiça Preta de Molelos! Continuarei a faze-lo de acordo com as minhas convicções mas acima de tudo, baseado essencialmente na opinião dos oleiros, na opinião das gentes locais e atendendo às necessidades reais do nosso território. 
A ideia de construir um “MUSEU DA OLARIA” na freguesia de Molelos não corresponde de todo às expectativas da maioria dos oleiros uma vez que as olarias existentes são efectivamente os espaços privilegiados de exposição e os espaços vivos onde esta arte se desenvolve na sua plenitude. 
A promoção e a valorização da Loiça Preta de Molelos deve ser um exercício continuo que se inicia tendo em conta, essencialmente, as necessidades locais, a ponderar: 

a) Divulgação da Loiça Preta de Molelos nas principais vias de comunicação locais. Se há dinheiro para promover o Caramulo, junto ao IP3, porque não promover também Molelos?

b) Construção da estátua/ monumento ao oleiro que dignifique a identidade da freguesia à semelhança do que vemos em tantas terras que valorizam os seus produtos endógenos, como acontece em Bisalhães, em no Alentejo em São Pedro do Corval e em Redondo. 

c) Promoção de iniciativas que envolva o barro preto, junto do seu publico –alvo, Ex. restaurantes, chefes de cozinha, feiras de gastronomias, postos de venda – tanto a nível nacional como a nível internacional;

d) Requalificação de um local onde possam estacionar autocarros e um parque de merendas a serem utilizados pelos milhares de pessoas que visitam Molelos anualmente.

Tal como já sugeri nesta assembleia, paralelamente a este parque, poderá surgir um centro interpretativo do barro preto, algo simples, modesto mas com um valor incalculável. Recordo que existe na Raposeiras a ultima soenga (barraco em pedra com cobertura), que está prestes a desaparecer e o qual pode ser adquirido pela junta de Freguesia gratuitamente. 

Senhor presidente da Junta de Freguesia de Molelos, 

Existem dois caminhos! Ou continuamos a tapar o sol com a peneira ou, em alternativa, começamos a pensar na Loiça Preta como uma prioridade para a freguesia de Molelos. Desafio-o mais uma vez, em colaboração com o Município de Tondela e seus técnicos qualificados a ponderar estas e outras contribuições para projectar e valorizar o maior símbolo da freguesia.