A PRAXE: REALIDADE INCONVENIENTE


È real a humilhação, os abusos e o exagero físico e psicológico em qualquer academia com tradição académica. São factos residuais que resultam da fragilidade emocional do Homem enquanto ser inútil que procura a afirmação inglória. Considero que a condição de “abutre” é o estatuto gratuito que se adquire naturalmente no meio académico pelos atos censuráveis que são desenvolvidos durante o percurso académico de muitos indivíduos. Estes desvios psicológicos e comportamentais devem ser rejeitados, repudiados drasticamente e punidos severamente.
 
Em 2006, enquanto estudante e responsável pelo JONEST- Jornal da de Noticias da Associação de Estudantes da Escola Superior de Tecnologia de Viseu - defendi que a “praxe assume um papel preponderante na integração dos novos estudantes, contudo tem evidenciado aspetos negativos que põe em causa a sua continuidade ”. À data denunciei a existências de “desrespeitos mútuos entre caloiros e praxantes” de forma a sensibilizar e complementar um debate sério e construtivo no meio académico sobre o assunto, uma vez que considerava (e considero!) que esta realidade inconveniente não representa nem dignifica os milhares de estudantes que encaram (e encararam!) a Praxe com o objetivo de promover a integração dos novos alunos no meio académico.

Atualmente existe um linchamento público, comparando a praxe a qualquer ato terrorista.
Os movimentos anti-praxe procuram o protagonismo característico dos “abutres” que nada acrescentam às boas práticas de integração existentes, antes pelo contrário, muitos destes defensores adotam esta posição de fachada para promoverem a proteção camuflada e a aproximação gradual com segundas intensões, como por exemplo de cariz sexual, entre outras.

Por outro lado muitos são os ignorantes que partilham das opiniões extremistas de comentadores arrojados que exploram até à exaustão os fenómenos mediáticos como é o caso dos rituais praticados numa praia nudista lá para os lados de Lisboa (Meco!), que vitimaram 6 jovens (influentes, crescidos e respeitados!) com responsabilidades na praxe académica da Universidade Lusófona.


 
A minha experiência com a Praxe foi muito gratificante porque conheci e convivi com pessoas que possuíam os mais estimados valores. Mais tarde efetuei diversas praxes coletivas e individuais, tendo como principio, não praxar pessoas do sexo feminino nem pessoas que visivelmente se mostravam incomodadas com a minha presença. Tive sempre a preocupação de analisar as limitações físicas e psicológicas e a dispensa de quem não estava presente por livre vontade era uma constante.

Gostaria de partilhar três experiências que ainda hoje recordo com saudade!
1) Num dia que se realizava um Jantar de Curso de Engª do Ambiente existia uma pessoa (caloiro) que se recusava ir ao jantar sem qualquer motivo aparente. Algo despertou a minha atenção e individualmente tentei entender as razões de tão estranha atitude. Conclusão: O colega não queria ir ao jantar de curso porque simplesmente não tinha meios financeiros para participar neste tipo de atividades. Como membro do Núcleo de Alunos arranjei forma de financiar o jantar do colega e acabou por participar neste convívio!
ISTO NÃO É INTEGRAÇÃO?

 
2) Enquanto membro da Associação de Estudantes da ESTV em 2007 e 2008 em conjunto com os demais colegas e com a colaboração da ESTV foi organizada a Receção ao Caloiro, onde os caloiros tiveram dispensa de aulas, eram convidados a integrar uma palestra de sapiência com os responsáveis da instituição, participação gratuita em atividades extracurriculares durante a tarde onde era oferecido aos caloiros porco no espeto e duas bebidas antes das atuações da tuna académica e de bandas como HI-FI e Função Pública.
ISTO NÃO É INTEGRAÇÃO?

3) Enquanto membro do Conselho Diretivo da ESTV sempre defendi a realização de atividades extracurriculares que envolvessem núcleos de alunos, professores e responsáveis das instituições através de palestras/conferencias e convívios de forma a complementar a componente académica e potenciando o convívio e a troca de experiências entre os alunos dos diferentes anos.
ISTO NÃO È INTEGRAÇÃO?

Estes três exemplos não representam o todo, mas o todo também não é representado pelas atoardas populistas que marcam a atualidade. Provavelmente é necessário reajustar a Praxe nas diversas instituições, mas apelar ao seu término significa a perda de identidade e o retrocesso da construção de pessoas quem têm a obrigação de saber viver em sociedade.