As homenagens não se devem
realizar por simpatia para não banalizar este nobre ato que somente “alguns”
merecem ostentar. O reconhecimento imerecido poderá por em causa a
credibilidade de quem o realiza e por outro lado vulgarizar quem em momentos
anteriores já recebeu outros galões.
Rejeito vivamente homenagear quem
fez a sua simples e mera obrigação.
Entre 15 e 20 de Março de 2012 a
Junta de Freguesia de Molelos associou-se às comemorações dos 150 anos da Igreja
Paroquial de Molelos. Provavelmente foi um dos eventos mais ambiciosos
realizados na freguesia de Molelos nos últimos anos.
Em colaboração com o património
vivo e dinâmico da “maior freguesia” do concelho de Tondela foi possível
realizar um evento bastante diversificado que à muito não se via por aqui…
Não foi um evento imponente,
essencialmente, devido às condições climatéricas que se registaram. São Pedro,
o Padroeiro da Freguesia abençoou este evento com chuva e muitos aguaceiros,
sabe-se la porquê! Contudo realço um programa extremamente bem pensado que somente
pessoas muito ambiciosas conseguem colocar em prática.
A semana começou com uma Sessão
Solene, diga-se com “polpa e circunstancia”. Nos dias seguintes houve teatro,
cerimónia religiosa, procissão, música tradicional, arraial beirão (com dois
grupos de Molelos numa só noite), acampamento de escuteiros, cicloturismo, um almoço
convívio e folclore.
Molelos em Festa culminou com a homenagem
ao pároco de Molelos, P.e Américo da Cunha Duarte.
O Padre Américo da Cunha Duarte
nasceu em 1942 na freguesia de São Pedro de France, Viseu.
Com 23 anos terminou o Curso de
Teologia depois de frequentar os Seminários diocesanos de Viseu. A 23 de Julho
de 1965 na Sé de Viseu foi ordenado sacerdote com ordens de missa, tendo
iniciado o seu percurso na Paróquia de S. José (Viseu) onde trabalhou até 1969.
De seguida partiu para Moçambique
onde entre outras atividades, desempenhou as funções de professor no Colégio Diocesano
Paulo VI e Escola de Artes e Ofícios e pároco de Vila Junqueiro, Gurùe.
Em 1977 regressou a Portugal onde
foi nomeado pároco de Molelos e paralelamente foi incumbido de ministrar aulas
de Educação Moral e Religiosa Católica, na Escola Preparatória de Tondela e
posteriormente Na Escola do 2º e 3º Ciclo.
Nove anos depois, assumiu até à atualidade,
a Paróquia de Nandufe.
Entre 1991 e 1994 adquiriu o grau
de Licenciatura pela Universidade Católica do Porto. Ainda lecionou na Escola
Grão Vasco de Viseu a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica entre
1993 e 1996.
Depois de aposentado, iniciou o
Curso de Mestrado em Bioética Teológica em 2000 na Faculdade de Teologia do
Porto, tendo defendido o seu trabalho de dissertação em 2004.
Em 2011 edita o livro “Droga e
Toxicodependência e a Proposta Educativa da Igreja Católica no Magistério de
João Paulo II”.
Esta obra demonstra o seu conhecimento sobre a
problemática da toxicodependência entre os jovens, analisa as suas causa e características,
questiona os valores da sociedade atual e apresenta efetivamente uma mensagem
positiva e encorajadora para ultrapassar este flagelo tal como o Papa da
Juventude, João Paulo II, fez tantas vezes nas suas intervenções junto dos seus
seguidores.
Pessoalmente, entendo que este
percurso de 35 anos a liderar a Paróquia de Molelos, por si só, não justifica uma
distinção pública. Então, quais as razões que existem para homenagear o P.e
Américo da Cunha Duarte?
Já passaram alguns meses desde
que tive conhecimento da intensão da Junta de Freguesia de Molelos distinguir o
pároco da Freguesia. Após uma breve ponderação, não hesitei em me associar a
esta, mais que merecida, HOMENAGEM, ora vejamos:
O Padre Américo da Cunha Duarte ao
longo dos últimos 35 anos criou a sua própria identidade e conseguiu o respeito
de diversas gerações. Este sentimento é comum a muitos jovens, idosos,
católicos praticantes, católicos não praticantes, crentes e alguns ateus desta
nobre freguesia com quem conferenciei sobre o assunto.
A sua atenção para com os mais
idosos é brilhante. Existe sempre uma palavra de esperança muito própria que
cativa e contagia os “nossos avós.” Provavelmente a pensar neles, surgiu a
ideia de construir nesta freguesia o Centro Social e Paroquial de Molelos.
O Padre Américo foi o responsável
pela solidificação deste projeto. Além de criar emprego é um espaço que ajuda
diariamente as pessoas que merecem todo o “nosso” carinho. O centro de dia é
uma realidade, assim como o apoio domiciliário a muitas pessoas que dependem
exclusivamente deste serviço para ter um resto de vida com a mínima dignidade.
De realçar que as verbas
resultantes da venda do livro “Droga e Toxicodependência e a Proposta Educativa
da Igreja Católica no Magistério de João Paulo II” revertem a favor do Centro
Social Paroquial de Molelos.
A sua capacidade de iniciativa em
prol da freguesia não se resume apenas ao Centro Social e Paroquial de Molelos.
O Padre Américo da Cunha Duarte também foi responsável pela requalificação da
Igreja Paroquial de Molelos, Capela do Botulho e Molelinhos.
Por outro lado, foi decisivo na
construção da Casa Mortuária localizada junto aos edifícios já referidos. A
Capela Mortuária é a concretização de um projeto que vai de encontro com as
pretensões das gentes de Molelos, concretizando o desejo de ter instalações condignas
e com condições mínimas de comodidade.
Entre outas iniciativas que
promoveu destaco ainda a construção da Casa Paroquial e mais recentemente a
aquisição da casa de Manuel do Paço.
Ainda vale a pena recordar a sua
disponibilidade. Existe sempre uma palavra de colaboração nas mais diversas
iniciativas. Apenas para exemplo, recordo a disponibilidade total para
colaborar na iniciativa Limpar Portugal.
Pelos motivos expostos e
provavelmente outros que desconheço a seu favor, a homenagem efetuada pela
Junta de Freguesia de Molelos é justa e merecida porque o Padre Américo da
Cunha Duarte destacou-se por fazer mais do que lhe competia, sendo um exemplo a
seguir…